Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Estatísticas de desemprego e a realidade

 

 

Desemprego. Quando se irá dar a esperada explosão social?

 

Antes de nos debruçarmos sobre a estatística de desemprego há que ter em conta o facto dos sucessivos governos terem vindo a aumentar o número de anos de escolaridade básica, aquela que todo o cidadão tem que possuir para entrar na vida ativa e que já vai nos 12 anos. Como muitos trabalhos não necessitam de qualificações tão prolongadas, a única justificação é a manutenção desses jovens no sistema de ensino e fora do mercado de trabalho para não aumentar as estatísticas de desemprego.

Muitos jovens procuram emigrar logo que terminem os seus estudos superiores porque têm consciência de que ficando por cá não terão qualquer chance nem sequer com uma qualificação superior. Esta nova geração de emigrantes não deseja voltar a viver no seu país, ao contrário da dos anos 60 que desejava voltar o mais rapidamente possível.

O desemprego em Portugal é de acordo com as estatísticas oficiais de 15%, mas toda a gente se apercebe que ele é muito superior (talvez o dobro), porque não considera muitos desempregados e passo a citar:

 1.º) Quando muitos jovens de maior idade deixam de estudar e vão ao Centro de Emprego em busca de um são de novo reencaminhados para o sistema de ensino para a obtenção um curso profissional quando o seu desejo seria o começarem imediatamente a trabalhar. Há casais  que vivem juntos e são reenviados para a escola. O  mesmo acontece a trabalhadores que caem no desemprego, alguns com idades avançadas. São estudantes à força quando queriam trabalhar. É claro que estando a estudar já não se encontram desempregados e é isso que interessa para a estatística;

2º) Outos indivíduos, porque não conseguem um emprego depois de concluirem os seus estudos, procuram eles próprios fazer estágios uns a seguir aos outros, ou tirar outros cursos só para não ficarem desocupados. O desejo destes jovens seria também o de obterem imediatamente um emprego. Não fora as ocupações alternativas e estariam também desempregados;

3º) Os indivíduos que já perderam direito ao subsídio de desemprego, de inserção social e que não acreditam que a sua manutenção nas listas de desempregados do Centro de Emprego lhes vá trazer algum benefício deixam de comparecer nas filas dos Centro de Emprego e de ser também considerados nas estatísticas.

Pergunta: Então porque será que esta geração de jovens sem futuro se mantem tão calma e não reage?

Resposta: Porque ainda têm a “muleta” dos pais ou dos avós que lhes vão permitindo pagar as contas e ir vivendo, mas à medida que esses apoios forem faltando hão de sentir o choque e aí terão que reagir e ou emigram (nem sempre terão sucesso); ou aceitam a nova escravatura: um qualquer trabalho sem horário nem  direitos, que não chega senão para pagar a sopa e que será sempre insuficiente para pagar a casa, a água, a luz, o gás, a saúde, o carro, a eduçação dos filhos, etc; ou caem no crime mais ou menos violento; ou na indigência e na esmola; ou na revolta descontrolada de cariz não político. Acredito que assim seja porque esta geração não tem qualquer orientação política e a maioria nem sequer faz uso do voto. Assim a ira, a raiva e a frustação deverá ocorrer em grupos, por puro vandalismo contra o património: automóveis, casas, estabelecimentos comerciais, mobiliário urbano, transportes públicos; em provas desportivas e outros espetáculos...  

Aliás, eu acredito que se alguma vez houvesse uma surpresa (não credível) e o eleitorado saisse da órbita do PS, PSD, CDS, essas eleições seriam consideradas inválidas...

 

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 14:18
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Cerca de 70% dos portugueses são proprietários

De acordo com as estatísticas, cerca de 70% dos portugueses serão também os proprietários da casa que habitam, realidade que não será muito comum noutros países. Este foi o tema de uma notícia televisiva de hoje à noite e os analistas parece não entenderem o motivo que é até bastante simples.

 1.º) Para quem procura arrendar uma casa as rendas sempre foram e são desajustadas em Portugal face aos baixos rendimentos da generalidade dos portugueses;

2º) Creio ser sensato que se opte por adquirir um imóvel pelo mesmo valor que se pagaria pela renda de um outro que nunca seria seu nem dos seus descendentes.

3º) As leis portuguesas têm dificultado exageradamente o despejo de arrendatários incumpridores, os processos arrastam-se durante anos nos Tribunais. Os senhorios têm que reservar uma parte das rendas recebidas para as Empresas que administram os prédios, para as devidas taxas legais e para a manutenção. Com alguma frequência os imóveis são devolvidos vandalizados pelos anteriores ocupantes. Assim, à normal manutenção do imóvel há que considerar despesas adicionais para o recolocar em condições de voltar ao mercado. Este panorama não é muito favorável à estabilização do custo das rendas de novos imóveis e leva até a que muitos proprietários optem por mantê-los fora do mercado e a aguardar melhores tempos.

4.º) Depois da entrada de Portugal na união monetária e no euro os juros cairam abruptamente e foi essa nova situação que levou muitos portugueses, que nem sequer teriam posses para pagar uma renda de casa, tivessem feito as contas e aproveitado a ocasião para comprar uma, de resto como fez um país pobre como Portugal quando construiu centros culturais, uma exposição mundial, um conjunto de estádios de futebol para um evento, uma verdadeira rede de autoestradas e até um desnecessário aeroporto em Beja. As regiões e os municípios fizeram o mesmo e endividaram-se, por vezes construindo rotundas também desnecessárias em muitos casos.

A lógica explica o resto: a determinada altura as agências de “rating” repararam que o país se estava a endividar ao mesmo tempo que perdia a sua capacidade produtiva por causa da globalização e que por isso difícilmente pagaria os empréstimos, assim baixou a classificação do país e os juros pedidos subiram para os novos empréstimos a Portugal, o que provocou "cortes", PECs, baixas nos apoios sociais, nos salários, nas reformas, cancelamento de obras, situação que provocou a falência em massa de muitas empresas e o despedimento de muitos trabalhadores. Com menores contribuições de empresas e de trabalhadores foram necessários mais cortes nas despesas do Estado o que provocou mais falências e mais desemprego, numa espiral crescente, e a história ainda vai a meio e não terá final feliz. O clientelismo partidário e uma pitada de corrupção antecipou o processo. Eis o resultado de políticas insensatas que não dizem respeito só a Portugal mas a toda a zona euro.  

Assim, o facto de muitos portugueses terem optado pela compra da sua casa e de agora não a conseguirem pagar é fácil de entender, não é?!

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sinto-me:
publicado por Zé da Burra o Alentejano às 22:32
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012

Há quem ainda resista ao Acordo Ortográfico, apesar de estar já em vigor.

Mas a resistência acabará por ser vencida: há cerca de 100 anos fizemos muitas alterações na nossa língua no sentido de facilitar a sua escrita e hoje não conheço qualquer contestação acerca delas.

Basta pegarmos num livro desse tempo e facilmente constataremos muitas diferenças gráficas, como por exemplo:

commissario

auctoridade

offerecer

allemão

commercio

thermometro

affirmar

jury

official, (e o seu plural) officiaes

monarchia

d'elle

d'ella

d'este

d'aquelle

n'esse

n'essa

pharmacia

elephante

sêco

Victor

Luíz

Benguella

Mossamedes

Pôrto

Cintra

Cezimbra

Barca d'Alva


(e muitas mais)

Pergunto aos resistentes se deveremos por também em causa aquelas alterações?

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 20:13
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Parque de Estacionamento da Fertagus "às moscas"

 

 


O parque de estacionamento da Fertagus está praticamente às moscas e prolonga-se uma enorme fila de carros estacionados na berma da estrada! Qual será o motivo? serão os automobilistas insensatos e não compreendem que a sua viatura ficaria muito melhor no parque do que à beira da estrada? não prestaria aquela empresa um melhor serviço se todos aqueles veículos estivessem no parque por ter uma tabela de preços mais baixa e por isso atrativa? Dada a quantidade de carros que ficam diariamente fora do parque não me espantaria que a Fertagus pudesse até lucrar mais baixando os preços deste e dos seus restantes parques de estacionamento?


Não conheço as tabelas de preços dos Parques da CP e do Metro de Lisboa, que devem ser semelhantes e por isso também elevados, mòrmente se considerarmos o estacionamento ao longo de todo o mês. 


Porque não copiar o que é feito por muitos hipermercados: oferecer o estacionamento aos seus clientes? Será que a lógica de mercado não funciona aqui? será que a rentabilidade está garantida pelo orçamento do Estado ainda que faltem os clientes? Deixar o carro no parque da FERTAGUS ao longo de todo o mês ainda faz moça no orçamento de muita gente para quem tem que pagar a viagem de comboio e outro(s) transporte(s) para conseguir chegar ao trabalho e depois para regressar a casa.

 

 

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 16:51
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012

O Serviço Nacional de Saúde em decadência

Falei há dias com uma pessoa que está na Holanda e queixei-me da degradação dos nossos serviços de saúde; respondeu-me que por lá funcionavam os Seguros de Saúde, que toda a gente os tinha e que ela pagava mensalmente cerca de 300 euros só para o Seguro de Saúde, insinuando que talvez fosse essa a solução para os portugueses, porém esqueceu-se de uma coisa muito importante: é que a maioria dos portugueses que até trabalham jamais poderá pagar tais valores, até porque o salário mínimo que muitos portugueses recebem ao fim do mês não chega a atingir os 500 euros e além de não se trabalhar apenas para pagar o seguro de saúde, muitas outras despesas são por cá até superiores às dos países onde os salários são muito mais elevados. Por exemplo, já que falamos de saúde, posso informar quem não sabe que uma consulta num médico privado é mais cara cá do que na Holanda. Será uma questão de livre concorrência de mercado ou de falta de médicos por cá? Bom! eu sei que há poucos anos quando se falava no baixo "numerus clausus" nos cursos de medicina, a Ordem dos Médicos afirmava sempre que "não havia falta de médicos em Portugal". Hoje prova-se justamente o contrário. Então? talvez estivessem a pensar na quantidade de jovens portugueses que estavam a estudar medicina em Salamanca. Esses eram os que tinham a felicidade de ter possibilidades económicas para isso. É que esse curso era e continua a ser o único que garante um futuro aos jovens que o conseguem concluir, nem que para isso tivessem que passar pela "escola dos vintes". 

Estávamos falando de seguros e há alguns por preços inferiores aos tais 300 euros que se limitam pagar a dentistas; ou a cobrir uma parte das despesas com consultas médicas; que ajudam a pagar exames médicos e análises, mas que não conseguem responder a situações mais graves porque aí se atinge rapidamente o "Plafond" e depois os doentes ou têm que pagar na íntegra as despesas ou acabam por ter que se socorrer do serviço público de saúde.

Também há Empresas que oferecem realmente bons seguros de saúde, não só aos seus altos quadros, mas também aos restantes funcionários, embora sejam casos especiais. Não sei é se o seguro se mantem para além da vida ativa. Se isso não acontecer, esses cidadãos acabam sem proteção no final das suas vidas, normalmente, quando mais precisam.

Que me perdoem os restantes portugueses: os desempregados, os velhos e os incapazes para o trabalho, porque a esses nem sequer me referi e têm direito a um serviço nacional de saúde a sério e não a serviço de “faz de conta”, que os obriga ir com febre e dores às 4 ou 5 horas da manhã para a fila do Centro de Saúde para conseguirem uma consulta, Centro de Saúde que vai ficando frequentemente mais longe e muitos doentes não têm transporte próprio nem da família.


"A Tribe In Africa Performs Brain Surgery With No Anesthesia And Leaves A Hole In The Skull Forever"

http://www.youtube.com/watch?v=_Q3QRhsr124

 

 

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 11:20
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Sábado, 4 de Agosto de 2012

Em Portugal todos têm “direito ao bom nome”, mesmo que não o mereçam.

Em Portugal toda a gente tem direito ao “bom nome” (?) mesmo que não o mereça, mas isso não é assim em todo o sítio. Há cerca de meia dúzia de anos estive no Brasil e assisti a um programa na televisão que me espantou: um entrevistador questionava um indivíduo que tinha sido detido e condenado por ter assassinado uma velhinha simplesmente para lhe roubar a carteira. Perguntáva-lhe então o repórter:

 - Então, valeu a pena teres morto a velhinha para lhe roubar carteira? O indivíduo, calado, baixava sempre a cabeça a esta insistente pergunta do repórter. O motivo do meu espanto veio depois quando o repórter continuou:

- Porque baixas a cara e não me encaras de frente, covarde? Será que tens medo de mim? Tu sabes perfeitamente que não te posso fazer nenhum mal aqui, neste sítio, mas tiveste coragem de matar a velhinha que sabias não poder defender-se de ti e não tens sequer coragem de me encarar! Olha-me de frente, tu és um covarde! Olha pra mim covarde!

Nem mesmo assim o dito assassino teve coragem de encarar o repórter; quanto a mim, fiquei a pensar que um tal programa televisivo seria impensável no nosso país, em Portugal todos têm direito ao bom nome (incluindo os que não o merecem).

Não tenho nenhum link deste programa, mas vou mostar-vos outro semelhante, também passado no Brasil e que pode ser encontrado no Youtube com os seguintes termos de pesquisa: “morre diabo”. Neste caso, ao invés, o assassino teve mesmo coragem de olhar de frente e responder aos repórteres.

  

 

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 16:29
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