Terça-feira, 31 de Julho de 2012

O Fim do Ocidente - O fim de uma civilização

 

 

 


Há quem diga que esta globalização era inevitável, mas o mundo não surgiu de repente após a queda do muro de Berlim, quando este desvario neoliberal começou, e ainda há países que defendem os seus interesses e a sua economia; onde a globalização chega mas de forma controlada. Tal não acontece na Europa ocidental que abraçou completamente o mercado global, livre e selvagem, fazendo-nos crer que a diferença tecnológica compensaria os baixos custos salariais no oriente. Porém, a rápida deslocalização de milhares de empresas ocidentais para a China e outros países do extremo oriente fizeram desenvolver económicamente esses países muito depressa e não irá demorar muito tempo até que atinjam (e ultrapassem) a alta capacidade tecnológica ocidental em áreas chave: como na indústria automóvel, aérea, naval, espacial e na construção de armamento de ponta e quando isso acontecer - mais depressa do que muitos julgam - a minha tese ficará comprovada. aliás, quem tem dinheiro pode continuar a pagar miseravelmente aos seus trabalhadores e principescamente aos génios estrangeiros que lhes interessa ter nas suas empresas e assim, também a inovação começará a vir do oriente. Entretanto as gigantes multinacionais já terão sido adquiridas pelo capital chinês e já não pertencerão aos EUA, nem à Alemanha, nem à França, nem à Inglaterra, países que irão aplicar as receitas já antes impostas aos países ocidentais mais fracos, mas aí o efeito será ainda pior porque a sua população atingiu um nível de bem estar social muito superior ao dos países periféricos e o caos chegará mais depressa e devastador. Quanto a palavras como: constituição, democracia, eleições, referendo, representatividade terão cada vez menor importância. A prepotência e a força bruta voltarão a imperar e as ditaduras regressarão ao "velho mundo", pois os países desenvolvidos do ocidente cairam na armadilha da "globalização selvagem" que interessava às grandes companhias, que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente. O custo da mão de obra é insignificante como factor de produção no valor dos bens produzidos nos países emergentes do oriente em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Para atingirem estes fins as grandes companhias serviram-se de políticos ocidentais corruptos que lhes faciliaram a tarefa. A UE, EUA e alguns países do chamado primeiro mundo que aderiram à globalização selvagem perderão a curto prazo a sua importância industrial e económica. Muitos deles acabarão por cair rapidamente no 3.º mundismo e na miséria, com muitos milhões de desempregados, salteadores e indigentes. Os trabalhadores ocidentais assalariados que restarem ficarão, tal qual os chineses, sem quaisquer direitos e não poderão contar senão com a "nova escravatura" e o seu destino será: nascer, trabalhar e depois serem despedidos quando a robustez física começar a faltar, dado que os despedimentos serão cada vez mais fáceis e económicos para as empresas. Então apenas restará aguardar a morte na extrema miséria, sem assistência médica do Estado e sem dinheiro para a pagar. Dada a cada vez maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde, qualquer pedido de reforma por incapacidade física será muito difícil de justificar. Assim, até uma reforma resídual e simbólica, para a qual muitos deles terão até descontado, lhes será negada, pelo que só lhes restará aguardar o limite de idade que chegará cada vez mais tarde, na maioria dos casos depois de já terem morrido, porque, irónicamente, a esperança de vida irá ser então menor, em virtude do Serviço Nacional de Saúde se tornar ineficaz e por não terem meios para pagar a medicina privada.

Com uma globalização diferente a China e os restantes países do oriente iriam crescer económicamente  de forma mais lenta, sem choques e com mais benefícios para a sua própria população. Desta feita, esses países nem vêm qualquer necessidade de promover um melhor bem estar social à sua população para que as portas comerciais lhes sejam abertas a ocidente. Antes desta globalização ultraliberal, para um país exportar os seus produtos para outro, eram necessárias negociações prévias e o impacto que a eventual importação provocaria no país de destino era tido em conta(na UE, o impacto numa região deveria ser considerada e implicar compensações internas nalguns casos). Contrapartidas eram frequentemente postas sobre a mesa: Caso aceitemos importar o vosso produto, que poderão compra-nos em troca? No final, um acordo era normalmente possível e algum equilíbrio comercial também. Mas com esta desregulação a questão nem se põe: se um par de sapatos custa 1 euro a produzir na China e 25 na UE, então passam a vir de lá todos e pronto, mesmo que isso represente o fim da indústria do calçado e o fim de milhares de empregos num ou em vários países da UE. É claro que isto vai estender-se a toda a indústria e assim estamos a assistir à desindustrialização do ocidente à sua rápida queda. 

Há quem aponte os baixos juros concedidos aos países ocidentais como os responsáveis pela crise ocidental, os quais terão levado a excesso de despesas e de endividamento. Não! a explicação é exatamente ao contrário: os mercados de capitais aperceberam-se de que os países do ocidente estavam a desindustrializar-se, fruto da deslocalização das suas indústrias para o oriente, e por isso lhes seria muito difícil pagar os seus créditos. O maior risco fez aumentar os juros a cobrar pelos empréstimos futuros e os países mais débeis estão já a sentir os efeitos; os mais fortes, como os EUA e a Alemanha têm-se aguentado, por enquanto, mas a sua vez chegará também quando a nova superpotencia julgar oportuno, porque nem esses poderão concorrer em mercado livre com a China, um país que nem precisou de abandonar o dogma do "comunismo" para atingir o explendor capitalista e já é a nova superpotência económica mundial. Ainda que apenas uma ínfima parte da sua população tenha real poder de compra, há que lembrar o seu número:  1,3 mil milhões de habitantes, por isso já é também um grande mercado mundial. As indústrias já se mudaram em grande parte para lá, por isso para recuar é tarde e resta-nos agora reparar nas etiquetas das mercadorias "Made in China" ou "Made in RPC" ou "Made in Germany, assembled in RPC" (como aparece numa memória externa para PC que comprei à dias). 

Sempre houve civilizações que se desenvolveram, atingiram o seu auge e depois cairam, ultrapassadas por outras, e nós, pelo menos, temos a "felicidade" de estarmos a viver um marco na História Mundial.

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 10:15
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