Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Cerca de 70% dos portugueses são proprietários

De acordo com as estatísticas, cerca de 70% dos portugueses serão também os proprietários da casa que habitam, realidade que não será muito comum noutros países. Este foi o tema de uma notícia televisiva de hoje à noite e os analistas parece não entenderem o motivo que é até bastante simples.

 1.º) Para quem procura arrendar uma casa as rendas sempre foram e são desajustadas em Portugal face aos baixos rendimentos da generalidade dos portugueses;

2º) Creio ser sensato que se opte por adquirir um imóvel pelo mesmo valor que se pagaria pela renda de um outro que nunca seria seu nem dos seus descendentes.

3º) As leis portuguesas têm dificultado exageradamente o despejo de arrendatários incumpridores, os processos arrastam-se durante anos nos Tribunais. Os senhorios têm que reservar uma parte das rendas recebidas para as Empresas que administram os prédios, para as devidas taxas legais e para a manutenção. Com alguma frequência os imóveis são devolvidos vandalizados pelos anteriores ocupantes. Assim, à normal manutenção do imóvel há que considerar despesas adicionais para o recolocar em condições de voltar ao mercado. Este panorama não é muito favorável à estabilização do custo das rendas de novos imóveis e leva até a que muitos proprietários optem por mantê-los fora do mercado e a aguardar melhores tempos.

4.º) Depois da entrada de Portugal na união monetária e no euro os juros cairam abruptamente e foi essa nova situação que levou muitos portugueses, que nem sequer teriam posses para pagar uma renda de casa, tivessem feito as contas e aproveitado a ocasião para comprar uma, de resto como fez um país pobre como Portugal quando construiu centros culturais, uma exposição mundial, um conjunto de estádios de futebol para um evento, uma verdadeira rede de autoestradas e até um desnecessário aeroporto em Beja. As regiões e os municípios fizeram o mesmo e endividaram-se, por vezes construindo rotundas também desnecessárias em muitos casos.

A lógica explica o resto: a determinada altura as agências de “rating” repararam que o país se estava a endividar ao mesmo tempo que perdia a sua capacidade produtiva por causa da globalização e que por isso difícilmente pagaria os empréstimos, assim baixou a classificação do país e os juros pedidos subiram para os novos empréstimos a Portugal, o que provocou "cortes", PECs, baixas nos apoios sociais, nos salários, nas reformas, cancelamento de obras, situação que provocou a falência em massa de muitas empresas e o despedimento de muitos trabalhadores. Com menores contribuições de empresas e de trabalhadores foram necessários mais cortes nas despesas do Estado o que provocou mais falências e mais desemprego, numa espiral crescente, e a história ainda vai a meio e não terá final feliz. O clientelismo partidário e uma pitada de corrupção antecipou o processo. Eis o resultado de políticas insensatas que não dizem respeito só a Portugal mas a toda a zona euro.  

Assim, o facto de muitos portugueses terem optado pela compra da sua casa e de agora não a conseguirem pagar é fácil de entender, não é?!

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sinto-me:
publicado por Zé da Burra o Alentejano às 22:32
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