Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Mais vagas em Medicina, enfermagem e direito

O Governo anunciou o aumento de vagas em vários cursos universitários, nomeadamente na área da saúde: medicina e enfermagem, embora eu não saiba qual será esse aumento. Mas é evidente que o país carece de profissionais naquelas áreas. Na saúde basta passarmos por um qualquer hospital ou centro de saúde e ouviremos facilmente um médico, enfermeiro ou outro técnico de saúde falar um português com sotaque espanhol: são estrangeiros que ocupam lugares altamente qualificados para os quais Portugal não dispõe do número necessário de profissionais. Há décadas que a Ordem dos Médicos se opõe ao aumento das vagas em medicina e tem conseguido impor a sua vontade. Em consequência chegámos ao lamentável resultado que referi. Outra demonstração da carência de profissionais de saúde são as dificuldades em manter os serviços a funcionar durante o verão: vários hospitais da margem sul do Tejo estiveram para fechar os serviços de pediatria e só não o fizeram porque as suas equipas de profissionais muito dignamente sacrificaram as suas férias durante o período de carência. Paralelamente existem dezenas de cursos universitários de que o país não precisa e cujos alunos depois de formados não vão encontrar emprego compatível, pelo que ficarão no desemprego ou aceitarão qualquer coisa onde possam ganhar algum dinheiro. Compreendo a posição da "Ordem dos Médicos" e agora também a dos Enfermeiros que já têm uma Ordem que são na realidade organizações corporativas que defendem os interesses dos actuais profissionais, dificultando o acesso à profissão aos jovens. É que o excesso de profissionais de uma determinada classe desvaloriza-a e em consequência honorários e salários e outras regalias tenderão a baixar; alguns profissionais poderão aceitar até condições que outros rejeitam. Também poderá significar que o exercício da profissão nos sectores público e privado em simultâneo deixe de ser permitido porque levanta suspeitas de conflito de interesses. Um curso de medicina em Portugal representa actualmente uma garantia de emprego e bem remunerado, daí a muitos jovens (os que podem) irem para Salamanca estudar medicina, gastando muito dinheiro aos pais e fazendo sair divisas ao país. Portugal tinha até a obrigação de formar profissionais de saúde para os PALOPs que deles muito necessitam, mas com a falta que temos muitos desses profissionais acabam por ficar por cá uma vez que são muito melhor remunerados do que nos seus países de origem. Mais valia o país apostar nestes cursos do que noutros sem saídas profissionais que apenas servem para dar emprego a alguns professores universitários. Quanto ao exercício da advocacia é a mesma coisa: muitos jovens estão a concluir o curso de Direito mas depois não conseguem a sua inscrição na Ordem que regula o exercício da profissão: são os estágios infindáveis, os exames no final dos estágios, enfim um sem número de dificuldades. As "REGRAS DO MERCADO" aplicam-se a todas as actividades comerciais e industriais e nas profissões: os bares, restaurantes, papelarias e oficinas que não podem impedir a abertura de outras lojas concorrentes ficam aqui em desvantagem; tal como os pedreiros, ladrilhadores, canalizadores, empregadas domésticas (que há cerca de uma década que não vêem aumentados os seus salários). Todas as profissões que têm uma Ordem, que determina quem pode ou quem não pode exercer a profissão, ficam protegidas da concorrência e é isso que deveria acabar. O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DEVERIA SER CONDICIONADO À DETENÇÃO DA HABILITAÇÃO E (PORVENTURA) A UM DETERMINADO PERÍODO DE ESTÁGIO. EXAMES NO FINAL DE ESTÁGIO (A SEREM FEITOS) DEVERIAM ESTAR A CARGO DAS UNIVERSIDADES E NÃO DAS ORDENS QUE DEVERIAM LIMITAR-SE À VERIFICAÇÃO DAS BOAS PRÁTICAS PROFISSIONAIS.
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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 11:45
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