Sábado, 5 de Abril de 2014

A Saúde cada vez mais longe dos portugueses

Hoje vou falar num assunto já muito conhecido que não será demais lembrar:

 

Apesar de se pagarem altas taxas para se ser atendido no Serviço Nacional de Saúde, os portugueses estão a ter cada vez maiores dificuldades em aceder a uma simples consulta no seu Centro de Saúde e nos Hospitais. Quando necessitam de um tratamento mais urgente, como por exemplo, tratar de uma gripe, são forçados, por vezes, a arrastar-se penosamente a altas horas da noite (4/5 horas da madrugada) para se postarem numa fila, na rua, ao relento, cheios de frio, por vezes com febre até, esperando a abertura do Centro de Saúde que abre em geral as portas às 8h00 para poderem ser atendidos. Mas em muitos casos acabam por regressar a casa sem atendimento porque os médicos só atendem um determinado número de doentes, para evitar, talvez, o pagamento de horas extraordinárias. O tempo de espera por uma consulta de urgência nos hospitais atinge dezenas de horas e programam-se consultas com anos de antecedência em que os doentes chegam a ser chamados depois de terem morrido. Alguns morrem nas imediações dos hospitais depois de serem atendidos e mandados embora para casa. Há quem não resista à falta de resposta do SNS e chegue ao extremo de se suicidar.

 

Como muitos Centros de Saúde têm fechado, os mais próximos ficam frequentemente mais mais longe, aumentando a dificuldade de muitos doentes serem atendidos. O problema é ainda maior se considerarmos as aldeias e as vila da província, onde os doentes não têm possibilidade de se deslocar ao Centro de Saúde a não ser que tenham algum familiar ou amigo que os leve. Nos tempos de hoje, as famílias já não vivem perto, como acontecia antigamente. Muitas tiveram que emigrar para sobreviver, dada a escassez de empregos disponíveis e a baixa remuneração em Portugal ser insuficiente para fazer face ao elevado custo de vida, que, em muitos casos, é superior até ao dos países mais ricos da UE. 

 

Uma simples ida a uma consulta é por vezes complicado, pois os Centros de Saúde e Hospitais onde se situam não são convenientemente servidos por transportes coletivos; ou são-no a horas que já não dá para se ser atendido; ou se tem que ir muito cedo; ou a viagem fica muito cara. Há casos relatados em que os doentes vão ao hospital na véspera e dormem em salas de espera para lá poderem estar a horas no dia seguinte e também porque não têm dinheiro para pagar uma dormida fora de casa.

 

Já há quem recuse o transplante renal que aguarda há muito tempo porque fica depois obrigado a deslocações regulares ao hospital e terá que as pagar pois o transporte gratuito de que beneficiava quando estava a fazer hemodiálise é-lhe retirado e o hospital fica por vezes a mais de cem de kilómetros de distância. Muitos desses doentes ficam sem meios económicos e preferem continuar com a hemodiálise.  

 

Dada a alta qualidade dos serviços de saúde em Portugal, está a promover-se agora o turismo de saúde para estrangeiros ricos virem cá tratar-se, pois os portugueses não têm capacidade económica para pagar a medicina privada e muito menos as intervenções cirúrgicas de que por vezes necessitam e pelas quais têm que esperar durante muito tempo, nalguns casos perdendo-se a sua eficácia por não terem sido realizadas a tempo.

 

Finalmente: os políticos portugueses ainda têm o descaramento de anunciar aumentos de "esperança de vida", como se não soubessem que as estatísticas se referem sempre ao passado. O que se passa agora virá nas estatísticas futuras se entretanto não decidirem alterar os parâmetros para o seu cálculo.

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 11:49
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