Domingo, 13 de Abril de 2014

O Socialismo de Direita é ao contrário.

O Socialismo e a Social Democracia eram ideologias políticas para eliminar a pobreza e reduzir as diferenças sociais. Algumas dessas ideias foram sendo postas em prática com maior ou menor sucesso em muitos países em especial após o fim da 2.ª grande guerra mundial. O ocidente deve o bem estar social a várias regras que foi aplicando à sua população que assim foi abandonando a pobreza: foram criados ordenados mínimos para cada profissão, apoios à natalidade, na doença, na velhice, no desemprego, foram concedidos mais dias de descanso, menos horas de trabalho por dia, férias pagas que se foram tornando mais longas ao longo do tempo, subsídios de nascimento, de férias, de natal, de funeral, etc., foram construídos bairros sociais, por vezes, de qualidade inferior mas com rendas também menores às de mercado e suportáveis para os cidadãos de menores rendimentos. A Europa ocidental tornou-se assim um exemplo a seguir para o mundo inteiro; enquanto que ideias mais avançadas acabaram mal sucedidas nos países de Leste que declaravam ter implantado o Socialismo e que rumavam já para o Comunismo.

Mas uma nova filosofia surgiu e foi imediatamente posta em prática, nomeadamente no nosso país: Uma espécie de "Socialismo de Direita ou ao contrário". Como é esta nova forma de Socialismo? É muito simples de explicar e também de entender: É exatamente o contrário do que se anunciava antes e que já tinha sido posto de lado em toda a Europa após a queda do muro de Berlim e a adesão à Globalização Selvagem. Agora estão sendo retirados todos os direitos já adquiridos pelos trabalhadores e pelos mais necessitados. Como essa gente pouco ou nada pode contribuir para a manutenção das despesas do Estado, sobrecarrega-se a classe média de técnicos mais bem pagos, os pequenos comerciantes e industriais, que passam a suportar cada vez mais por si só as despesas do país, que incluem menores despesas na área social. Aliás, é esse mesmo o objetivo, reduzir nas despesas sociais para as distribuir pelas grandes Empresas, cujas obrigações fiscais e sociais vão também sendo reduzidas (ou eliminadas) tendo em vista o aumento dos seus lucros. Nessa linha criaram-se e desenvolveram-se os "paraísos fiscais".

 

Temos como exemplo o caso de Portugal:


1. Desrespeitam os acordos de trabalho celebrados com os sindicatos e desregulam o mercado de trabalho, incentivam a precaridade nos empregos, aumentam o número de horas e de dias de trabalho, reduzem os salários, os dias de férias e o preço das horas extraordinárias, incentivando-as, ainda que à custa de mais desemprego.

 

2. Facilitam o despedimento de todos os assalariados e em especial dos mais idosos que com a idade começam a ficar menos produtivos. Reduzem a indemnização que estava prevista em caso de despedimento e limitam-na a um teto que prejudica duplamente os mais velhos e com mais anos de trabalho na Empresa. Estes idosos jamais encontrarão qualquer posto de trabalho e ficam com direito a um subsídio de desemprego de menor valor e durante muito menos tempo. Depois, quando acabar, terão que aguardar sem qualquer apoio a sua pensão de reforma que chegará cada vez mais tarde e com um valor menor, após terem descontado e pago todos os seus impostos durante os muitos anos de trabalho.

 

3. As  indemnizações pagas por despedimento, agora reduzidas, devem passar a ser comparticipadas pela segurança social, i.e. socializa-se a indemnização do despedimento que passa a ser pago em parte pelos contribuintes e pelos outros trabalhadores.

 

4. As habitações sociais construídas no pós 25 de abril, cujas rendas foram fixadas em cerca de 3000$00 (ou até menos): no máximo 20% do rendimento da familiar, mantiveram por contrato as suas rendas fixas e a sua transmissão automática aos sussessores que moravam na habitação. A manutenção destas habitações foi negligênciada até atingirem uma confrangedora degradação que ainda agora pode ser visível, vão ter agora as suas rendas aumentadas em valores que atingem 2.600%: i.e., de 15€ (ou menos) podem passar para 400€, um valor superior até ao de mercado, tendo em consideração a inferior qualidade destas habitações, cuja manutenção continua em muitos casos negligenciada e quando foram feitas algumas melhorias foram-no apenas na fachada dos edíficios; por outro lado dão-se incentivos em termos de pagamento do IMI e de outros impostos a estrangeiros ricos que comprem habitações de luxo em Portugal: para além de lhes ser concedido automaticamente o direito de residência no país, estes cidadãos ricos ficam assim subsidiados pelos portugueses, pois vão beneficiar das infraestruturas pagas pelos contribuintes nacionais, embora não contribuam com o esforço que lhes seria devido se fossem nacionais

 

5. Os impostos das grandes Empresas estão sendo reduzidos (ou isentados), tal como as demais obrigações sociais para que seus lucros subam.

 

6. O Estado apoia as grandes empresas, nomeadamente os bancos em risco de falência, incluindo por má gestão ou por corrupção. Esses apoios são dados a partir de verbas muitas vezes conseguidas através de empréstimos contraídos pelo Estado português e que os contribuintes terão que pagar com juros ao longo de décadas.


7. As grandes Empresas são apoiadas monetariamente para darem emprego a desempregados com o dinheiro da segurança social para onde os desempregados descontaram por vezes durante anos a fio para que se um dia ficassem no desemprego tivessem uma ajuda monetária para a qual contribuiram. Em tempos havia um desconto com um nome mais sugestivo; "fundo de desemprego", mais tarde foi incluído nos descontos para a "segurança social" que ficou com a responsabilidade de pagar os subsídios de desemprego. Poderemos dizer que assim os trabalhadores passam a pagar parte do salário dos desempregados aos quais é dada uma função numa das Empresas escolhidas, embora o lucro do seu trabalho nem sequer seja repartido com a segurança social, pois quem acaba por beneficiar é apenas a Empresa que tem durante algum tempo mais trabalhadores com salário reduzido e quando esses contratados sairem outros virão nas mesmas condições.

 
8. O Estado passou a socializar os riscos de investimento em muitos casos, i.e. passou a assumir os riscos de muitos investimentos e as Empresas das parcerias terão que ser indemnizadas caso não atinjam os lucros que constam nos contratos assinados. Essas Empresas não arriscam nada e ainda garantem lucros que estão a ser suportados pelos contribuintes (é o exemplo das Parcerias Público Privadas).

 

9. Todas as Empresas Públicas onde foram feitos avultados investimentos, cujo pagamento ainda está em curso, estão a ser vendidas, normalmente por preços abaixo do seu valor, mas o Estado fica com os encargos das dívidas e com as partes das Empresas que dão prejuízo que será socializado (temos o exemplo da CP: Prevê-se a venda de todos os serviços lucrativos: linhas de Sintra, de Cascais, de Lisboa-Porto e da CP Carga); quanto aos restantes serviços não rentáveis ficam para o Estado, ou seja o contribuinte suportar. Algo idêntico já tinha acontecido com o BPN, um banco que só não foi à falência porque o Estado decidiu salvá-lo com dinheiro dos contribuintes. Depois vendeu os balcões e os negócios rentáveis e ficou com o lixo tóxico para socializar os milhares de milhões de prejuízos.


10. Muitas das empresas (além das PPPs) têm vivido à custa de contratos celebrados com o Estado que tem encomendado inúmeras obras, muitas delas desnecessárias até.


Muito mais poderia ser dito mas não pretendo tomar-vos muito tempo e isto chega para exemplificar o rumo e aonde nos levará o novo socialismo.

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 21:21
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