Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2014

O motivo das "praxes"

Não há necessidade de nomear ninguém, mas, nos últimos tempos temos tido vários Ministros que sentiram a necessidade de serem conhecidos por doutor ou por engenheiro, sem que, na realidade, tivessem direito a qualquer um desses títulos que nada acrescentam aos seus conhecimentos e competências. Mas, em Portugal, muitas pessoas acham importante para o seu estatuto social possuir um desses títulos. Será esse o motivo porque se generalizou o tratamento de "senhor doutor" ou "senhor engenheiro" fulano de tal a qualquer pessoa detentora de um qualquer grau académico. Para o visado é, desde logo, uma honra que vai de encontro ao seu desejo de distinção relativamente ao comum dos mortais e fá-lo sentir-se muito mais confortável no seu ego pessoal, ainda que tenha a consciência de que o título não lhe é devido. 

 

É claro que a maioria dos conhecidos doutores são apenas licenciadas, bacharéis (ou obtiveram misteriosamente um título académico em poucos meses). Mas os que têm um documento oficial conferindo um qualquer grau académico poderiam na realidade juntá-lo ao seu nome. Quanto às engenharias existem cursos que dão direito ao título profissional de "engenheiro" e outros de "engenheiro técnico" e pronto.

  

O fenómeno é semelhante no Brasil e a tradição vem já do passado, do tempo da colonização do sertão brasileiro, cujos proprietários eram os conhecidos "coronéis". Mas, ainda hoje, os humildes "garçons" (empregados de mesa no Brasil) chamam, por respeito, de "senhor doutor" a qualquer cliente mais distinto que se lhes apresente, mesmo antes de saberem se tem ou não qualquer habilitação académica superior.

 

Quanto aos licenciados, bacharéis e outros que exigem ser tratados por "doutor" deveríamos acrescentar o apelido "da mula ruça". O antigo filme português, com António Silva e Vasco Santana, "A Canção de Lisboa" chamou-lhes de "doutores da mula ruça". 

 

A necessidade do título parece querer mostar aos restantes mortais que existem duas estirpes de seres humanos: os "doutores" e os "burros". motivo das praxes académicas parece ter origem na mudança de estatuto do jovem universitário, que em breve vai deixar de ser apenas um BURRO para vir a ser um DOUTOR.

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 06:09
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