Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Bairros Sociais em luta contra o IHRU

 

Moradores de diversos bairros sociais da grande Lisboa manifestaram-se hoje, dia 22-abril-2014, frente ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) contra os brutais aumentos das rendas das suas habitações, valores que atingem nalguns casos os 2.600% ao fim dos 3 anos de transição para as novas rendas.

 

Muitos dos moradores ali presentes são oriundos dos famigerados "bairros lata" que na altura do 25 de abril de 1974 proliferavam por Lisboa e arredores e pagam mensalmente cerca de 15,00 €, o que representava à altura do realojamento não mais de 20% do rendimento mensal do agregado familiar. Desde então as rendas nunca foram aumentadas, até porque tinham sido fixadas num valor máximo também chamado de "RENDA TÉCNICA". Além disso, por morte do arrendatário, que na altura tinha que ser sempre o "chefe de família" (por influência ainda do regime anterior), o arrendamento era transmissível aos restantes elementos do agregado familiar que tinham sido realojados em conjunto com o arrendatário; e posteriormente aos seus descendentes, desde que habitassem sempre na moradia.

 

Mas de um momento para outro, os compromissos assumidos pelo estado português deixaram de ser respeitados e o IHRU pretende agora aplicar rendas que atingem os 400,00 € (isto representa nalguns casos aumentos de 2.600%).

 

Muitas destas habitações são de qualidade bastante sofrível, o que não será de admirar dado se destinarem às classes sociais mais baixas e terem rendas também inferiores. Para além disso, durante décadas não houve qualquer conservação nestas habitações, embora nos últimos meses tenham feito algumas obras de fachada, mas casos há em que nem sequer foram feitas quaisquer obras ainda, porém os aumentos são para aplicar de imediato. Mas naquelas em que foram feitas algumas melhorias elas limitaram-se ao exterior, continuando muito húmidas de inverno e tórridas de verão; o que apenas pode ser compensado, em parte, com altos gastos em energia para a sua climatização. Este problema não pode ser resolvido de todo até porque nalguns casos as habitações foram construídas com paredes simples e sem o normal tijolo de barro perfurado, mas num material já obsoleto e permeável ao frio e ao calor. O resultado é bem vísivel em muitas das habitações onde as paredes estão negras com tanta humidade que prejudicia obviamente a saúde de quem lá habita.

 

Mais notícias poderão ser vistas na gravação em vídeo feita pelo CMTV, em: http://cmtv.sapo.pt/atualidade/detalhe/dezenas-manifestaram-se-contra-a-lei-do-arrendamento.html

 

Parece que neste país já não há bom senso e deu loucura nos governantes...

 

 

 

 

 

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 18:30
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011

BAIRROS SOCIAIS COM NOVAS RENDAS - IHRU

A fim de conseguir mais dinheiro para os cofres do Estado (ou para pagar o défice do Estado) está na ordem do dia o “ataque” aos bairros sociais por parte do governo. Depois de muitos anos sem actualização das rendas nesses bairros, pretende-se agora aplicar aumentos exorbitantes nas rendas, que atingem por vezes mais de 3.000% sobre os valores actuais.

 

Se as actualizações anuais nas rendas tivessem sido aplicadas nesses bairros, conforme a lei geral do arrendamento, os valores que essas rendas poderão atingir agora seriam inatingíveis. Os habitantes dos bairros sociais (pelo menos alguns) vão ficar fortemente penalizados por lá habitarem; e nunca lhes chegou a ser dada sequer a possibilidade de aquisição dessas habitações. No arrendamento geral NUNCA HOUVE NEM HAVERÁ TAL EXAGERO. Mas aqui ainda é mais grave porque as habitações são de muito baixa qualidade e muitas delas estão degradadas, sendo os seus habitantes na sua maioria pessoas de classe baixa e média baixa, algumas oriundas de bairros de barracas, que habitavam havia décadas e de onde foram desalojados por passarem aí as novas vias, por isso considero a notícia divulgada recentemente na comunicação social como sendo um escândalo e por isso lhe chamo de "ataque aos bairros sociais".

 

Na dita “correcção de rendas” apenas têm em consideração o número de filhos e o RENDIMENTO OFICIAL, que todos sabemos ser frequentemente diferente do real, que é de difícil averiguação, senão mesmo impossível, por isso há muito quem considere como injusto o actual sistema de controlo de rendimentos até para efeitos fiscais. É que existem muitas pessoas cujo rendimento é controlável ao cêntimo, mas há muitas outras em que qualquer controlo é impossível. São situações que existem em qualquer sítio e também nos bairros sociais. Além disso, os aumentos das rendas não levam em conta o número de anos que as pessoas habitam o local; a natureza do bairro nem a qualidade das habitações, que é, em geral, bastante sofrível: sem isolamentos eficazes (muito húmidas no inverno e demasiado quentes no verão); nalguns casos nem foram colocados estores, nem portadas nas janelas; nem colocaram portas nos prédios por forma a evitar a entrada de intrusos e vândalos que destroem todo o equipamento dos edifícios, desde campainhas, iluminação, caixas de correio, elevadores (quando os há), canalizações. Chegam a violar o acesso aos telhados sabe-se lá para quê, defecam nas escadas a coberto da noite e da falta de iluminação, enfim... os bairros sociais são um lugar muito pouco aconselhável que já penalizam e bem muitas pessoas honestas, pacatas e trabalhadores que lá habitam, e que são ainda a sua maioria, não lhes conferindo qualidade de vida e estigmatizando-as perante os restantes cidadãos. Muitos dos habitantes dos bairros sociais - aqueles que puderam - fizeram algumas obras de beneficiação para dar aos seus lares um mínimo de condições de habitabilidade e agora nada disso conta...

 

A aplicação dos aumentos é precedida por vezes de obras de requalificação de fachada, que NÃO CRIAM NEM PODEM CRIAR AS CONDIÇÕES NORMAIS DE UMA HABITAÇÃO COM ALGUMA QUALIDADE, PORQUE: PARA A SUA CONSTRUÇÃO FICAR MAIS BARATA, OS BAIRROS SOCIAIS FORAM FEITOS DE RAIZ COM QUALIDADE INFERIOR. COMO ERAM CASAS DE RENDA SOCIAL, ESSAS RENDAS SERIAM SEMPRE BAIXAS E MUITO INFERIORES ÀS DE MERCADO, por isso os materiais utilizados são da mais baixa qualidade e a qualidade dos projectos também, assim não será de admirar os inumeros problemas referenciados, com infiltrações de água, humidade (de inverno) e o calor insuportável (de verão), etc... 

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publicado por Zé da Burra o Alentejano às 12:05
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