Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Reações à manifestação de 15 de setembro - efeitos e expectativas

 Tem-se gerado um grande descontentamento transversal em toda a sociedade portuguesa (da esquerda à extrema direita) desde a apresentação das novas medidas de austeridade para 2013, em que a alteração na "Taxa Social Única" (TSU), faz incidir mais 7% sobre os salários dos trabalhadores, sendo simultâneamente reduzido em 5,5% para as entidades patronais (o Estado fica com 1,5% deste aumento), como redução de custos do trabalho em Portugal para aumentar a competitividade (?) Nem os próprios reformados e pensionistas escapam a esta sobrecarga, mas neste caso será apenas para baixar o valor real das pensões a pagar pelo Estado.

Depois da enorme manifestação apartidária de 15 de setembro passado, a maior desde 1974, que demonstrou o descontentamento dos portugueses face a esta e outras medidas anunciadas por Pedro Passos Coelho na semana passada.

Já antes diversas figuras públicas, e algumas até ligadas aos partidos do governo, tinham manifestado o seu desacordo com o pacote; o mal estar começou já a fazer-se sentir dentro da própria coligação, fazendo com que deputados e o próprio lider do outro partido da coligação, Paulo Portas, se tivessem já demarcado da medida.

 

Representadores de confederações patronais rejeitaram também a proposta que dizem ser mais prejucial do que benéfica, pois sentem que o benefício será uma prenda envenenada que irá ter o efeito contrário ao anunciado: pois reduzir ainda mais o poder de compra dos trabalhadores apenas fará reduzir a atividade económica interna, e, em consequência, levar ainda mais empresas à falência e portugueses ao desemprego. Usando uma linguagem médica: não se podem dar dozes maciças de químio ou de rádioterapiapotera porque isso não irá curar o doente mas matá-lo...

 

O nosso Primeiro Ministro parece ter-se retirado para refletir, pois não aparece desde a manifestação, porém, estamos à espera de saber o que irá acontecer agora: Continuará o Primeiro Ministro insistir nas medidas anunciadas? Será que o PM irá fazer alguma correção, em especial na mais polémica, a insensata transferência de encargos do TSU para os trabalhadores? Será que o Governo vai deixar de comprar automóveis topo de gama para os seus Gabinetes? Será que vai corrigir efetivamente os excessos cometidos pelos anteriores governos relativamente à desregulação bancária, parcerias público-privadas? será que vai acabar com a maioria das fundações de "interesse público" cujo objetivo o governo bem sabe que é apenas um expediente para não pagar impostos? Será que o PM vai acatar finalmente o acódão do TC e eliminar a discriminação detetada com o confisco de subsídios na FP, reformas e Pensões? Será que vai desistir de tentar "tapar o Sol com a peneira", dizendo que a discriminação foi sanada com demonstrações matemáticas que atentam contra a inteligência dos portugueses e dos próprios Juízes do TC? Será que vai deixar de nomear novos funcionários públicos (especiais) em que no decreto de nomeação se diz explícitamente "com direito ao 13º e 14º meses de vencimento"? Será que não vai encontrar um novo meio de dar mais dinheiro aos membros do governo, seja a título de "subsídio de representação" ou de outra qualquer treta? Será que vai congelar excecional e temporáriamente os preços dos bens essênciais para minorar os sacrifícios dos portugueses, como os da água, luz, gás e dos outros combustíveis? Será que nas nacionalizações anunciadas, as Empresas vão ser alienadas pelo seu real valor? Será que as dívidas dessas empresas ficam a cargo do Estado português para que todos nós paguemos, tal como o BPN? Será que o governo vai por os Tribunais funcionar rapidamente em tempo útil? Um país onde a Justiça não funciona não promove o investimento, exceto o que esteja excecionalmente protegido.


 

 

 

 

 

 

publicado por Zé da Burra o Alentejano às 20:00
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Estatísticas de desemprego e a realidade

 

 

Desemprego. Quando se irá dar a esperada explosão social?

 

Antes de nos debruçarmos sobre a estatística de desemprego há que ter em conta o facto dos sucessivos governos terem vindo a aumentar o número de anos de escolaridade básica, aquela que todo o cidadão tem que possuir para entrar na vida ativa e que já vai nos 12 anos. Como muitos trabalhos não necessitam de qualificações tão prolongadas, a única justificação é a manutenção desses jovens no sistema de ensino e fora do mercado de trabalho para não aumentar as estatísticas de desemprego.

Muitos jovens procuram emigrar logo que terminem os seus estudos superiores porque têm consciência de que ficando por cá não terão qualquer chance nem sequer com uma qualificação superior. Esta nova geração de emigrantes não deseja voltar a viver no seu país, ao contrário da dos anos 60 que desejava voltar o mais rapidamente possível.

O desemprego em Portugal é de acordo com as estatísticas oficiais de 15%, mas toda a gente se apercebe que ele é muito superior (talvez o dobro), porque não considera muitos desempregados e passo a citar:

 1.º) Quando muitos jovens de maior idade deixam de estudar e vão ao Centro de Emprego em busca de um são de novo reencaminhados para o sistema de ensino para a obtenção um curso profissional quando o seu desejo seria o começarem imediatamente a trabalhar. Há casais  que vivem juntos e são reenviados para a escola. O  mesmo acontece a trabalhadores que caem no desemprego, alguns com idades avançadas. São estudantes à força quando queriam trabalhar. É claro que estando a estudar já não se encontram desempregados e é isso que interessa para a estatística;

2º) Outos indivíduos, porque não conseguem um emprego depois de concluirem os seus estudos, procuram eles próprios fazer estágios uns a seguir aos outros, ou tirar outros cursos só para não ficarem desocupados. O desejo destes jovens seria também o de obterem imediatamente um emprego. Não fora as ocupações alternativas e estariam também desempregados;

3º) Os indivíduos que já perderam direito ao subsídio de desemprego, de inserção social e que não acreditam que a sua manutenção nas listas de desempregados do Centro de Emprego lhes vá trazer algum benefício deixam de comparecer nas filas dos Centro de Emprego e de ser também considerados nas estatísticas.

Pergunta: Então porque será que esta geração de jovens sem futuro se mantem tão calma e não reage?

Resposta: Porque ainda têm a “muleta” dos pais ou dos avós que lhes vão permitindo pagar as contas e ir vivendo, mas à medida que esses apoios forem faltando hão de sentir o choque e aí terão que reagir e ou emigram (nem sempre terão sucesso); ou aceitam a nova escravatura: um qualquer trabalho sem horário nem  direitos, que não chega senão para pagar a sopa e que será sempre insuficiente para pagar a casa, a água, a luz, o gás, a saúde, o carro, a eduçação dos filhos, etc; ou caem no crime mais ou menos violento; ou na indigência e na esmola; ou na revolta descontrolada de cariz não político. Acredito que assim seja porque esta geração não tem qualquer orientação política e a maioria nem sequer faz uso do voto. Assim a ira, a raiva e a frustação deverá ocorrer em grupos, por puro vandalismo contra o património: automóveis, casas, estabelecimentos comerciais, mobiliário urbano, transportes públicos; em provas desportivas e outros espetáculos...  

Aliás, eu acredito que se alguma vez houvesse uma surpresa (não credível) e o eleitorado saisse da órbita do PS, PSD, CDS, essas eleições seriam consideradas inválidas...

 

publicado por Zé da Burra o Alentejano às 14:18
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