Sexta-feira, 16 de Novembro de 2012

Discriminação entre salários no setor público e privado

Quem ler o post de "ULTRAPERIFERIAS" fica com a idéia de que os funcionários públicos acabam priveligiados relativamente aos trabalhadores do setor privado, o que é uma descarada MENTIRA. Passo a explicar: em 2012 aos Funcionários públicos foram retirados os dois subsídios (o de férias e de Natal), portanto ficaram sem qualquer um; no setor privado os dois subsídios foram pagos, logo ficaram com ambos os subsídios. Assim, em 2012 o setor privado manteve os 2 subsídios e a função pública ficou sem os 2, certo?


Em 2013 o governo pretende conceder um subsídio aos funcionários públicos (pago mensalmente o longo do ano), que acaba por lhes ser retirado logo no próprio mês em virtude do aumento dos impostos, i.e. ficam na prática e do mesmo modo sem qualquer subsídio; no setor privado continua tudo como está, sendo que um dos subsídios será "comido" pelo aumento dos impostos (extensivo aos setores público e privado). Então qual será no final a diferença? os funcionários públicos continuam a ficar sem os dois subsídios enquanto que os trabalhadores do setor privado ficam agora apenas com um deles (sempre é melhor que nada, não é?). Eis como o que parece ser não é...

 

 Quanto às diferenças salariais, basta reparar que a função pública é hoje fundamentalmente composta por pessoal altamente qualificado: sem contar com os membros do governo, magistrados, serviços militares, de segurança interna, os assalariados do estado são compostos por investigadores, médicos, professores universitários, do ensino secundário, básico e pré-escolar. Depois há ainda os enfermeiros e outros técnicos da saúde, segurança social, finanças, tribunais, etc. Na realidade, há já muito tempo que o Estado prescindiu de ter ao seu serviço pessoal auxiliar, que não foi sendo substituído à medida que se foi aposentando. Mas como os serviços continuam a ser indispensáveis passaram a ser contratados a empresas privadas que o possuem esse pessoal: gente que não necessita de muita escolaridade nem de grande formação profissional e que tem salários também inferiores aos dos técnicos do estado (ou das empresas privadas). Eis alguns trabalhos que antes eram feitos diretamente pelo estado e que agora são contratados ao setor privado: serviços de porteiro, pessoal de apoio (incluindo a computadores), limpezas, serviços de bar, em cantinas, jardinagem, construção e manutenção de edifícios, veículos e de estradas, etc. No estado chegou-se ao extremo de já há haver ninguém para reparar o puxador de uma porta, substituir uma lâmpada ou uma borracha numa torneira que pinga. Tudo tem que ser contratado a empresas privadas, pago, e bem pago porque o Estado sempre paga tarde e isso tem um custo extra que se reflete no orçamento. Não é, portanto, estranho que os salários médios sejam superiores na função pública. Basta avaliar a situação, comparando o perfil do pessoal ao serviço do estado com o da generalidade das empresas privadas, muitas das quais vivem até dos serviços que prestam ao estado, fornecendo-lhe a mão de obra de que necessita para os serviços acima referidos que deixaram de ser executados diretamente pelo estado sabe-se lá porquê?

free counter
publicado por Zé da Burra o Alentejano às 14:55
link do post | comentar | favorito
Sábado, 8 de Setembro de 2012

A discriminação mantêm-se informou Pedro Passos Coelho

Não obstante a determinação do Tribunal Constitucional, a discriminação entre os rendimentos de salários do setor público e do privado vai manter-se.

 

- Os trabalhadores do setor privado continuam a manter os dois subsídios, só que um deles será comido pelo aumento dos descontos para a segurança social, ficarão portanto apenas com um subsídio.

 

- Os trabalhadores do setor público continuam a ficar sem os dois subsídios, pois é-lhes devolvido apenas um que será comido pelo aumento dos descontos.

 

Os descontos aumentam por igual para ambos os setores de 11 para 18% (aqui não há discriminação). Estou curioso por saber qual será agora a opinião do Tribunal Constitucional a esta trapalhada matemática do tipo chico esperto. Será que o Governo assume o confronto com o TC ou acha que a discriminação foi sanada? 


Os reformados continuam a ficar discriminados, o Governo continua a olhar apenas para os rendimentos do trabalho. Passos Coelho não referiu quaisquer cortes nos restantes rendimentos nem a criação de qualquer imposto especial sobre as grandes fortunas (como se vão fazer países cujos problemas económicos são muito menos graves que o nosso), nem sobre compras de luxo, como certos tipos de automóveis, barcos, aviões e mansões, luxo, etc. O aumento do IMI é generalizado e por isso não se enquadra neste capítulo.


Lição básica sobre economia (que talvez Passos Coelho tenha esquecido)

Quando o país tinha moeda própria e ela era desvalorizada, isso reduzia o valor real de todos os salários de trabalhadores públicos, dos privados, das reformas, o valor real das poupanças acumuladas, o lucro das transações, o valor do património, enfim, toda a população era afetada. O reequilíbrio fazia-se depois por efeito da inflação induzida pelas importações que ficavam mais caras, o que até favorecia a produção nacional durante algum tempo, mas os seus custos de produção, porque dependem em parte dos preços das matérias primas e da energia importados, acabavam por subir tal como os preços dos bens cá produzidos. Por arrastamento, salários (de todos) e as pensões acabavam também por acompanhar a subida. O preço de obras em curso tinham que ser renegociadas, mas em valor real até poderiam ficam por um preço inferior. Enfim, tudo era afetado, mais justo e equitativo do que esta trapalhada matemática engendrada pelo Governo de Pedro Passos Coelho.

Não quero deixar a impressão de que sou contra a manutenção de Portugal na zona euro, o que quero é repetir o que ficou determinado pelo TC: o dever da repartição dos sacrifícios, que deve ser equitativo e não cair apenas sobre determinado grupo ou grupos da população.



free counter
publicado por Zé da Burra o Alentejano às 20:05
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Fevereiro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
20
21
22
23

24
25
26
27
28


.posts recentes

. Discriminação entre salár...

. A discriminação mantêm-se...

.arquivos

. Fevereiro 2019

. Novembro 2018

. Dezembro 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Dezembro 2015

. Setembro 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds